ARTIGO ENVIADO POR — JANAÍNA S. VIANNA
Pois é, meu jovem leitor! Você aí, afoito por uma boa história, achando que sabe tudo sobre os criadores de mundos, pois então puxe uma cadeira, que a saga de Sidney Sheldon é de tirar o fôlego! Imagine só: um homem que não se contentou em viver uma vida só, mas decidiu ter duas carreiras de absoluto sucesso, como se fosse um hobbit que resolveu ser também um detetive das brumas de Londres. Nas ruas de paralelepípedos molhados pela garoa e iluminadas pelos letreiros piscantes de Hollywood, onde a fumaça das câmeras se misturava à neblina dos sonhos, ele começou a sua jornada, provando que a tinta de sua pena era mais poderosa que qualquer varinha de condão.
Na sua primeira grande aventura, antes mesmo de sonhar com os grossos calhamaços de papel, o nosso mestre já era o rei do pedaço nas terras mágicas da televisão e do cinema. Foi ele quem, com um estalar de dedos, trouxe aos lares a etérea e caprichosa Jeannie é um Gênio, pregando peças nos mortais desavisados! E não é que o sujeito ainda ganhou um Oscar de Melhor Roteiro em 1947 com O Solteirão e a Menor? Pois é, meu amigo! Entre peças que faziam a Broadway rir e chorar, e a criação do elegante Casal 20, ele mostrou que a sua mente era uma fábrica de sonhos, onde a engrenagem da fama girava sem cessar, aquecendo os corações frios das grandes cidades, onde a fuligem e o brilho do neon disputavam a alma dos transeuntes.
Mas a história dá voltas, meu caro, e quando o relógio da vida bateu seus cinquenta invernos, o nosso Sidney resolveu que as telas já estavam pequenas demais para a sua imaginação. Foi aí que ele cruzou o limiar para a sua segunda grande fase, entrando de cabeça nos livros de suspense e tramas policiais! A experiência de roteirista fez com que suas páginas ganhassem um ritmo de tirar o fôlego: capítulos curtos, ganchos eletrizantes e aquele suspense de prender o leitor na beira da poltrona. Tanta foi a magia que ele espalhou pelo mundo que o próprio Guinness Book o coroou como o autor mais traduzido de todos os tempos, levando seus mistérios para cada canto onde haja um olho atento e um coração palpitante.
E que obras, minha nossa! O Outro Lado da Meia-Noite, Se Houver Amanhã, A Ira dos Anjos, O Reverso da Medalha e A Outra Face são verdadeiros labirintos de emoções, onde a justiça e a vingança dançam uma valsa perigosa. Certa vez, nas sombras de uma biblioteca empoeirada, dois sábios debateram a força de tais obras: — Dize-me, ó mestre dos pergaminhos, como pode um homem que antes moldava sombras em telas de luz capturar a essência da fuga e do terror com tal ferocidade nas páginas impressas? — inquiriu o jovem, com os olhos brilhando como brasa na fogueira. — Pois ele conhece os labirintos da alma humana, jovem tolo — respondeu o ancião, com a voz grave como o trovão nas montanhas. — Seus capítulos são armadilhas; ao virares a página, percebes que os teus pés já estão acorrentados, e não há como escapar até que o último segredo seja revelado.
E agora, meu jovem aventureiro, a pergunta que não quer calar: você já leu algum desses tesouros ou ficou com o coração cheio de coceira para começar por algum deles? Se a curiosidade bateu na sua porta, não deixe a porta da imaginação fechada! Diga-me qual é o seu estilo de leitura, que eu, como um velho guia nestas terras da fantasia, te indico o melhor caminho para começar. Afinal, a noite está caindo, a neblina sobe pelas ruas de paralelepípedos, e uma boa história de Sidney Sheldon é o melhor abrigo contra o frio e o tédio!
